Qualquer capitalista (ou aspirante
a tal) que se preze tem obrigatoriamente que ler o Relatório Anual da Berkshire
Hathaway, escrito pelo inexcedível Warren Buffet.
O mais impressionante do
relatório nem é o recorde extraordinário de rentabilidade (19,7% de crescimento
anual no valor contabilístico por acção desde 1965 vs. 9,4% para o S&P500)
e de geração anual de valor ($24,1 mil milhões em 2012).
O que maravilha a Alice é a
simplicidade com que Warren Buffet escreve a sua mensagem aos accionistas em 24
singelas páginas que tornam acessível a compreensão de negócios que vão dos
seguros aos rebuçados.
Com efeito, num mundo em que o
jargão da gestão se tornou numa ciência oculta destinada, não raras vezes, a
disfarçar desempenhos fracos é desarmante a frontalidade com que este homem
expõe conceitos tão complexos como o “float” gerado pelo negócio dos seguros.
Para além de toda a sabedoria que
transmite, ainda consegue dar uma aula de contabilidade, sobre “goodwill” e amortizações,
e de matemática, para explicar porque prefere reinvestir os lucros em vez de os
distribuir como dividendos.
O humor, que em alguns casos
chega a ser “self depreciating” como dizem os ingleses, pontua e aligeira ainda
mais o relatório. Quando, por exemplo, refere que dois dos seus colaboradores
tiveram um desempenho nos seus respectivos portfolios bem melhor do que o dele,
fá-lo utilizando uma fonte de texto bem mais pequena do que no resto do
relatório.
Depois vêm os rochedos de
sabedoria.
Quando explica o reforço nas suas
4 grandes participadas, American Express, Coca-Cola, IBM e Wells Fargo,
parafraseia a Mae West: “demasiado de uma coisa boa pode ser maravilhoso”.
Também a propósito destas
participadas (onde controla entre 6% a 13,7% do capital): “Na Berkshire
preferimos ter uma posição significativa mas não controladora de um negócio
maravilhoso do que 100% de um negócio mais ou menos bom”, coisa que em Portugal
esquecemos um pouco…
Quando fala sobre a crise: “Toda
a tempestade acaba por esgotar a chuva”
Sobre a compra de Empresas: “É
bem melhor comprar um negócio maravilhoso a um preço justo, do que comprar um
negócio razoável a um preço maravilhoso”.
Relativamente a más decisões de
gestão: “sonhar só se torna realidade nos filmes da Disney, para os negócios é
um veneno”
E muitos mais…
Neste relatório, como é habitual
em toda a sua literatura e discursos, faz a apologia dos Estados Unidos da
América e das perspectivas, que ele vê sempre com muito optimismo, para os
negócios no futuro.
Argumenta que os EUA enfrentaram
incerteza desde 1776. No entanto, apesar de alguns percalços ocasionais, a
realidade tem demonstrado que o mundo cresce e as probabilidades estão do lado
dos gestores e dos investidores.
No século 20 o Dow Jones
Industrials cresceu de 66 para 11.497, um aumento de 17.320% que aconteceu
apesar de 4 Guerras muito caras, a Grande Depressão e muitas recessões…
Um grande exemplo de espirito,
atitude e… resultados.
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