quarta-feira, 6 de março de 2013

Anuário para Capitalistas



Qualquer capitalista (ou aspirante a tal) que se preze tem obrigatoriamente que ler o Relatório Anual da Berkshire Hathaway, escrito pelo inexcedível Warren Buffet.

O mais impressionante do relatório nem é o recorde extraordinário de rentabilidade (19,7% de crescimento anual no valor contabilístico por acção desde 1965 vs. 9,4% para o S&P500) e de geração anual de valor ($24,1 mil milhões em 2012).

O que maravilha a Alice é a simplicidade com que Warren Buffet escreve a sua mensagem aos accionistas em 24 singelas páginas que tornam acessível a compreensão de negócios que vão dos seguros aos rebuçados.

Com efeito, num mundo em que o jargão da gestão se tornou numa ciência oculta destinada, não raras vezes, a disfarçar desempenhos fracos é desarmante a frontalidade com que este homem expõe conceitos tão complexos como o “float” gerado pelo negócio dos seguros.

Para além de toda a sabedoria que transmite, ainda consegue dar uma aula de contabilidade, sobre “goodwill” e amortizações, e de matemática, para explicar porque prefere reinvestir os lucros em vez de os distribuir como dividendos.

O humor, que em alguns casos chega a ser “self depreciating” como dizem os ingleses, pontua e aligeira ainda mais o relatório. Quando, por exemplo, refere que dois dos seus colaboradores tiveram um desempenho nos seus respectivos portfolios bem melhor do que o dele, fá-lo utilizando uma fonte de texto bem mais pequena do que no resto do relatório.

Depois vêm os rochedos de sabedoria.

Quando explica o reforço nas suas 4 grandes participadas, American Express, Coca-Cola, IBM e Wells Fargo, parafraseia a Mae West: “demasiado de uma coisa boa pode ser maravilhoso”.

Também a propósito destas participadas (onde controla entre 6% a 13,7% do capital): “Na Berkshire preferimos ter uma posição significativa mas não controladora de um negócio maravilhoso do que 100% de um negócio mais ou menos bom”, coisa que em Portugal esquecemos um pouco…

Quando fala sobre a crise: “Toda a tempestade acaba por esgotar a chuva”

Sobre a compra de Empresas: “É bem melhor comprar um negócio maravilhoso a um preço justo, do que comprar um negócio razoável a um preço maravilhoso”.

Relativamente a más decisões de gestão: “sonhar só se torna realidade nos filmes da Disney, para os negócios é um veneno”

E muitos mais…

Neste relatório, como é habitual em toda a sua literatura e discursos, faz a apologia dos Estados Unidos da América e das perspectivas, que ele vê sempre com muito optimismo, para os negócios no futuro.

Argumenta que os EUA enfrentaram incerteza desde 1776. No entanto, apesar de alguns percalços ocasionais, a realidade tem demonstrado que o mundo cresce e as probabilidades estão do lado dos gestores e dos investidores.

No século 20 o Dow Jones Industrials cresceu de 66 para 11.497, um aumento de 17.320% que aconteceu apesar de 4 Guerras muito caras, a Grande Depressão e muitas recessões…

Um grande exemplo de espirito, atitude e… resultados.


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